INÊS FERREIRA – O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou, hoje,(30) de audiência pública realizada na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) e defendeu a redução da jornada de trabalho como uma medida estratégica para o futuro das relações de trabalho no Brasil.

A audiência foi convocada pelo deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino (PT). O secretário – geral da Fetrhotel Antônio Carlos da Silva Filho e a presidente do Sinthoresp Elisabete Cordeiro compuseram a mesa de trabalho, ao lado do ministro. Também participaram da audiência diversos presidentes e diretores sindicais do setor de hotel, bares e restaurantes do estado de São Paulo.

Durante sua fala, o ministro foi enfático ao afirmar que a proposta vai além de uma questão econômica. “A redução da jornada não é só uma questão econômica. É uma questão de saúde, de qualidade de vida e de dignidade para o trabalhador e a trabalhadora”, destacou.

Marinho também ressaltou que a mudança só será possível com mobilização social. Segundo ele, será necessária a participação ativa de trabalhadores, sindicatos e da sociedade para pressionar o Congresso Nacional. “Será preciso a participação de todos para pressionar o Congresso e fazer esse debate avançar”, afirmou.

Ao apresentar dados, Marinho destacou que a medida impacta toda a estrutura produtiva do país. Segundo ele, pequenas, médias e grandes empresas concentram cerca de 35% da força de trabalho, demonstrando que a reorganização da jornada é ampla e necessária.

Ele também trouxe dados relacionados à saúde do trabalhador. De acordo com o ministro, jornadas extensas estão diretamente ligadas à privação de sono, fadiga crônica e aumento do desgaste físico e mental. “Jornadas longas estão associadas ao cansaço extremo e ao aumento de acidentes. Trabalhadores exaustos ficam mais expostos a riscos”, alertou.

Marinho destacou ainda que o excesso de horas trabalhadas impacta negativamente a produtividade e aumenta a rotatividade no mercado de trabalho. Segundo ele, muitos trabalhadores deixam seus empregos em busca de melhores condições, o que eleva os custos das empresas com demissões, contratações e treinamentos.

Ao rebater críticas, o ministro apresentou experiências internacionais, inclusive nos Estados Unidos, que demonstram que a redução da jornada não provocou aumento da informalidade. Pelo contrário, segundo ele, há evidências de geração de empregos e melhoria nas condições de trabalho.

Outro ponto importante levantado foi o impacto econômico positivo da medida. Marinho afirmou que trabalhadores mais saudáveis produzem mais e contribuem para a sustentabilidade das empresas. “Pensar na jornada é pensar também na economia. Negócios precisam de trabalhadores saudáveis para crescer com qualidade”, disse.

A audiência reuniu representantes sindicais de diversas regiões, reforçando a importância da mobilização e do debate público. Para o ministro, o momento é de organização e pressão política. “Essa é uma disputa que envolve o futuro do trabalho no Brasil. E ela só será vencida com participação coletiva”, concluiu.

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