Inês Ferreira

A luta contra o feminicídio e todas as formas de violência contra as mulheres ganhou um importante reforço com o lançamento da campanha permanente da CUT “Pela Vida das Mulheres, a Luta é de Todos”. A Central realizou nesta quarta-feira, 13 de maio, um seminário nacional que marcou o início da mobilização permanente voltada à prevenção do feminicídio, ao enfrentamento das violências de gênero nos locais de trabalho e nos espaços do movimento sindical.

A atividade aconteceu de forma híbrida, das 10h às 13h, com participação presencial na sede nacional da CUT, em São Paulo, e também por videoconferência, reunindo dirigentes sindicais, lideranças e trabalhadores e trabalhadoras da Rede CUT de todo o país. A Fetrhotel esteve representada pela assessoria de imprensa.

O evento foi aberto por uma mesa composta por Júlia Nogueira, da secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Amanda Corcino,representante do Instituto Maria da Penha, Regina Célia (virtual), da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, da vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, e do presidente nacional da Central, Sérgio Nobre.

Na sequência, a mesa “Desigualdades de gênero e experiências de superação” reuniu Fernanda Lopes, da CONTRAF-CUT, Lu Varjão, presidenta da Casa Margarida Barreto, e Mazé Morais, secretária nacional de Mulheres do PT.

Já a terceira mesa marcou o lançamento oficial da campanha permanente “Pela Vida das Mulheres, a Luta é de Todos”, com participação de Mara Feltes, Júlia Nogueira, Amanda Corcino e Juvandia Moreira.

Responsabilidade dos sindicatos

O seminário representou um chamado direto para que sindicatos, federações, confederações e entidades filiadas assumam papel ativo no combate à violência contra as mulheres, fortalecendo ações de prevenção, acolhimento, formação e mobilização nos locais de trabalho.

Durante a atividade, a CUT também formalizou sua adesão ao Pacto Nacional “Brasil contra o Feminicídio”, iniciativa do governo federal voltada à articulação de políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.

Data simbólica
A escolha do dia 13 de maio para o lançamento da campanha também carregou um significado político e social, ao provocar a reflexão sobre a chamada “abolição inacabada” e sobre as desigualdades estruturais que continuam atingindo principalmente as mulheres negras, vítimas das múltiplas formas de violência, exclusão e racismo.

Redes sociais
No evento, dirigentes reforçaram a gravidade do cenário vivido pelas mulheres brasileiras e alertaram para o crescimento da misoginia e do discurso de ódio nas redes sociais, especialmente através de movimentos como os chamados grupos “redpill”, que têm atraído adolescentes e jovens.

“Os garotos estão sendo cooptados por esses tipos de movimento”, alertou a ministra das Mulheres do Brasil, Márcia Lopes durante a atividade, defendendo que o debate também chegue às famílias, escolas, sindicatos e ambientes de trabalho.

Outro ponto central do debate foi o entendimento de que o mundo do trabalho é um espaço estratégico para prevenir a violência. Segundo as participantes, muitos casos de agressão e até feminicídio acontecem dentro ou nas proximidades dos locais de trabalho, justamente porque os agressores sabem onde as mulheres estarão durante grande parte do dia.

A CUT reafirmou que assume um compromisso permanente com a vida das mulheres e reconheceu que o próprio movimento sindical não está imune à reprodução do machismo estrutural. Por isso, a campanha também propõe uma transformação interna nas entidades sindicais.

“Temos que focar na prevenção permanente do feminicídio por meio de ações articuladas, permanentes e eficazes”, reforçou a direção da Central.

Objetivos

Entre os objetivos da campanha que foram apresentados estão:

  • conscientizar sobre a violência de gênero nos locais de trabalho;
  • preparar lideranças sindicais para identificar sinais de violência e acolher as vítimas com segurança e sigilo;
  • mobilizar trabalhadores e trabalhadoras como agentes de prevenção;
  • inserir cláusulas de combate à violência e de proteção às mulheres nas negociações coletivas.

Além disso, a campanha prevê ações planejadas ao longo de 2026, incluindo a implementação do Protocolo da CUT de combate ao assédio e às violências de gênero, iniciativas permanentes de formação e comunicação e a construção de pautas para negociação coletiva durante as campanhas salariais.

Durante o encontro, foi destacada a experiência dos bancários, que já conquistaram avanços importantes na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, incluindo cláusulas voltadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres, acolhimento às vítimas e mecanismos de proteção no ambiente laboral. A experiência foi apresentada como referência para outras categorias ampliarem esse debate nas campanhas salariais e negociações coletivas.

Sindicatos, unidades de acolhimento
Outro destaque foi a importância da presença das mulheres nos espaços de poder dentro das entidades sindicais. As dirigentes defenderam que mulheres em cargos de direção têm maior sensibilidade para identificar violências e desigualdades vividas cotidianamente pelas trabalhadoras.

Também foi destacado o papel de diversas secretarias da CUT na construção da campanha, como comunicação, formação e organização. A comunicação será responsável por dar visibilidade às ações e produzir materiais de divulgação, enquanto a formação terá a missão de preparar multiplicadores para combater todas as formas de violência contra as mulheres.

Formação
A Secretaria Nacional de Formação reforçou que a política de formação da CUT está diretamente ligada às estratégias de transformação social e terá papel fundamental na preparação das lideranças sindicais em todo o país.

O cronograma da campanha prevê mobilizações permanentes ao longo do ano, envolvendo datas estratégicas como o Agosto Lilás, o Dia Nacional de Tereza de Benguela e os 25 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher, letramento dos dirigentes sindicais e cursos de formação. A campanha também se relaciona com a luta pelo fim da escala 6×1, destacando que a redução da jornada precisa vir acompanhada da divisão justa do trabalho doméstico e de cuidados.

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